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A Justiça manteve a prisão preventiva do rapper Mauro Davi Nepomuceno dos Santos, o Oruam, após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (23), na Central de Benfica. O juiz acolheu o pedido do Ministério Público, que destacou o risco à ordem pública e os vínculos do artista com o Comando Vermelho.
Entre as provas reunidas pela Polícia Civil estão fotos em que ele aparece ao lado de Antônio Ilario Ferreira, o Rabicó, chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e de Edgard Alves de Andrade, o Doca da Penha ou Urso, líder do CV na Penha.
Oruam está preso em cela isolada na Penitenciária Dr. Serrano Neves, em Bangu, para onde foi transferido após passar algumas horas no presídio de Benfica. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) confirmou que a rotina dele segue os protocolos padrão da unidade e que a transferência ocorreu sem intercorrências.
O cantor se entregou à Polícia Civil na noite de terça-feira, após dias foragido. Segundo a investigação, ele tentou impedir a apreensão de um adolescente conhecido como Menor Piu, foragido da Justiça e segurança pessoal de Doca.
O menor foi localizado na porta da casa de Oruam, no bairro do Joá, e escapou depois que o grupo do artista arremessou pedras contra os agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Um policial ficou ferido.
Pelo episódio, Oruam foi indiciado por sete crimes: tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência qualificada, desacato, dano qualificado, ameaça e lesão corporal. A polícia afirma que a casa dele já havia sido usada como esconderijo de criminosos ligados ao CV. “Transformou-se em ponto de encontro e proteção para membros da facção”, diz o relatório da DRE.
Vinculação ao CV
Logo após o ataque, Oruam fugiu para o Complexo da Penha e publicou vídeos desafiando a polícia. “Me pegar em casa é fácil. Quero ver vir aqui na Penha”, disse.
Em outro vídeo, pediu desculpas aos fãs e afirmou: “Tô com Deus e tá tranquilão.” Ele também mencionou o pai, Marcinho VP, atualmente preso em penitenciária federal, e o tio Elias Maluco (morto) — ambos figuras centrais da facção criminosa.
Para o Ministério Público, o artista faz parte de uma “vinculação estável, orgânica e permanente” ao Comando Vermelho. A promotora Silvia Missano afirmou que Oruam “ostenta publicamente sua ligação com a facção, associando imagem, carreira e patrimônio à estrutura criminosa”.
A juíza Ane Cristine Scheele Santos considerou que a prisão preventiva era necessária “para a garantia da ordem pública”.
A prisão foi comemorada por autoridades da segurança pública. “É um marginal faccionado”, disse o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi. O caso segue sob investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Oruam permanece preso e à disposição da Justiça.
Declarações de Poze do Rodo
Após a prisão de Oruam, MC Poze do Rodo usou as redes sociais para defender o amigo e criticar a polícia. “É perseguição, ou você vai falar que o moleque é bandido porque ele falou tudo aquilo num momento de ódio, raiva?”, afirmou, destacando a imaturidade do rapper e a provocação policial que levou à prisão.
O funkeiro também repudiou a invasão da casa de Oruam e a atuação da polícia: “Não tem como você ver sua casa ser invadida num horário que não é permitido, ver a polícia fazendo coisas contra a lei.”
Apesar do apoio, Poze afirmou que não fará protestos como Oruam. “Eu não tenho que provar minha lealdade. Ele já sabe. [...] Não posso querer dar uma de herói. A gratidão é servida da forma que tem que ser. Não é porque ele subiu no ônibus que eu vou ter que subir no ônibus. Vou ajudar ele, mas de formas sábias e inteligentes, e não de forma burra que, se eu fizer, vão me prender também”, concluiu.