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Polícia Civil devolve 1,4 mil celulares recuperados no RJ, sendo 43 em SG
Aplicativos dos governos estadual e federal permitem o cadastro para consulta sobre restrições, como roubo, furto ou extravio
Polícia Civil devolve 1,4 mil celulares recuperados no RJ, sendo 43 em SG
Foto do autor Mauro Touguinhó Mauro Touguinhó
Por: Mauro Touguinhó Data da Publicação: 22 de julho de 2025FacebookTwitterInstagram
Celular sendo devolvido na Cidade da Polícia - Foto: Polícia Civil

Adriana chegou cedo à Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte do Rio, com o número do protocolo em mãos e a esperança de voltar para casa com o celular que havia perdido para um assaltante, meses antes, no Centro da capital. “Ainda estou pagando o telefone, mas pelo menos ele voltou para mim. Foi um susto, uma perda, e agora um alívio”, disse ela, emocionada.

Ao lado de Adriana, Márcio também saiu com seu aparelho de volta nas mãos. Ele teve o celular furtado durante uma partida de futebol. A recuperação veio por meio de uma notificação da Polícia Civil, informando que o equipamento havia sido localizado. “Estava no trabalho quando recebi a mensagem. Na hora, fui conferir e comemorei. É uma ação de inteligência que a gente precisa parabenizar”, disse.

Os dois fazem parte do grupo de 1.400 pessoas que tiveram seus celulares devolvidos pela Polícia Civil nesta terça-feira (22), na primeira grande leva da Operação Rastreio. A ação, considerada a maior já realizada no estado para desarticular o esquema criminoso de roubo, furto, receptação e revenda de aparelhos móveis, teve devoluções em vários pontos do Rio.

 

Balcão de atendimento para devolução de celulares - Foto: Polícia Civil

 

A logística da operação distribuiu os aparelhos entre a Cidade da Polícia (cerca de 700 devoluções), delegacias da Baixada Fluminense (400 aparelhos) e unidades da Região Metropolitana e interior (300 celulares).

Em São Gonçalo, segundo a 74ª DP (Alcântara), foram 43 aparelhos devolvidos de um total de 56 recuperados na operação. Já em Niterói, a 76ª DP também iniciou as entregas, mas optou por não divulgar os números.

 

Alta de furtos e roubos motivou ação inédita

A ofensiva acontece em meio a uma escalada nos crimes envolvendo celulares em todo o estado. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), entre janeiro e maio de 2025, o Rio de Janeiro registrou 19.257 furtos de celulares, alta de 18% em relação ao mesmo período de 2024 (16.251). Já os roubos cresceram 30%, saltando de 8.379 para 10.879 ocorrências.

Os municípios de Niterói e São Gonçalo estão entre os que apresentam os aumentos mais preocupantes.

• Em Niterói, os furtos de celulares aumentaram 85%: foram 727 registros em 2025, contra 393 no mesmo período do ano anterior. Os roubos saltaram de 107 para 199 casos, um avanço de 86%.

• Em São Gonçalo, os furtos passaram de 237 para 354 (+49%), enquanto os roubos cresceram de 172 para 290 (+69%).

A gravidade dos números foi o gatilho para o lançamento da Operação Rastreio, em maio. De lá para cá, segundo a Polícia Civil, já foram presos mais de 270 suspeitos e cerca de 5 mil celulares foram recuperados. Muitos desses aparelhos ainda estão sendo periciados e cruzados com boletins de ocorrência para identificação dos donos legítimos.

“O celular é um bem essencial para o cidadão. Esta devolução simboliza muito mais que a entrega de um objeto: é a retomada da dignidade. E ainda estamos só no começo”, afirmou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.

 

Aplicativo Celular Seguro RJ foi lançado no início do mês - Foto: Governo do RJ 

 


Notificações e responsabilização por receptação


 

Parte do trabalho de recuperação também envolveu usuários que estavam de posse de celulares com restrição por furto ou roubo. Em junho, cerca de 3 mil pessoas foram notificadas e orientadas a entregar voluntariamente os aparelhos em até 72 horas. Aproximadamente mil atenderam ao chamado, evitando indiciamento por receptação.


 

Os demais que ignoraram o aviso já estão sendo alvo de inquéritos e podem responder criminalmente.
 

Devoluções em delegacias de bairro seguem em andamento

Em delegacias como a 74ª DP (São Gonçalo) e a 76ª DP (Niterói), as devoluções continuarão ao longo da semana. A entrega dos aparelhos é feita com agendamento prévio, e os proprietários são localizados a partir do cruzamento entre o número do IMEI, os registros de ocorrência e as bases de dados operacionais da polícia.

Segundo a Secretaria de Polícia Civil, a operação será contínua e permanente, com novas fases previstas nos próximos meses. A prioridade é fechar o cerco contra pontos de revenda de aparelhos irregulares e quebrar a engrenagem do mercado paralelo.

 

Devolução de celulares na Cidade da Polícia - Foto: Polícia Civil

 


Aplicativos ajudam a checar se celular é roubado

Como parte das medidas de prevenção, o governo estadual lançou neste mês o aplicativo Celular Seguro RJ, que permite ao cidadão cadastrar o número do IMEI e consultar se o aparelho possui alguma restrição, como roubo, furto ou extravio. As informações são atualizadas em tempo real com base nos registros da própria Polícia Civil.

No âmbito federal, o Ministério da Justiça e Segurança Pública regulamentou o Cadastro Nacional de Celulares com Restrição (CNCR), que unifica as informações do Celular Seguro, do Cadastro de Estações Móveis Impedidas (CEMI) e da Base Nacional de Boletins de Ocorrência (BNBO).

“A pessoa tem o direito de saber se está comprando um celular legal. O CNCR é uma ferramenta para dar mais segurança ao consumidor”, afirmou Manoel Carlos de Almeida Neto, secretário-executivo do Ministério da Justiça.

A consulta pode ser feita de forma simples: basta baixar o app Celular Seguro (Android ou iOS), acessar a opção “Celulares com Restrição”, e digitar ou escanear o número do IMEI — que aparece ao digitar *#06# no teclado do celular.

Para milhares de vítimas, como Adriana e Márcio, a operação tem sido uma rara oportunidade de justiça. “A gente fica desacreditado, acha que nunca mais vai ver o celular. Quando me chamaram, parecia mentira. Agora sei que vale a pena confiar na polícia”, disse Adriana, sorrindo, enquanto segurava o celular nas mãos — desta vez, com alívio.

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