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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou Vitor Gonçalves Mattos Viana, de 22 anos, por homicídio duplamente qualificado e porte ilegal de arma branca, pela morte do segurança Carlos Alberto Machado Ribeiro, de 59 anos. O crime ocorreu na madrugada de 20 de julho na Orla Bardot, em Armação dos Búzios, Região dos Lagos.
De acordo com a denúncia da 2ª Promotoria de Justiça de Búzios, o assassinato foi cometido por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa da vítima. O MPRJ afirma que Vitor se irritou após acreditar, de forma equivocada, ter sido agredido por Carlos com um tapa no capacete, enquanto empinava e acelerava sua moto em frente ao bar onde a vítima trabalhava.
Momentos depois, já dentro do estabelecimento, o agressor esperou que o segurança virasse de costas para atacá-lo com vários golpes de canivete — um deles atingiu fatalmente o pescoço. Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML)
Carlos ainda chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal Rodolpho Perissé, mas não resistiu aos ferimentos. Ele era casado, pai de dois filhos e conhecido na comunidade pela postura pacífica. Estava trabalhando no Boteco do Pinel havia quatro anos, após ficar desempregado no Rio, e morava em Búzios com parentes.
Segundo a família, o segurança viajava quinzenalmente para visitar a esposa e os filhos — o mais novo completa 15 anos nesta sexta-feira. "Meu tio estava de costas e não teve nem como se defender. Ele agiu por trás. Quando meu tio sentiu a primeira facada com canivete, virou para trás. Foi nesse momento que ele levou outro golpe, no pescoço. Meu tio ainda tentou segurar o ferimento com a mão, mas já havia muito sangue", contou Monique Ribeiro, sobrinha da vítima.
A Polícia Civil apurou que Vitor já vinha causando transtornos na região ao empinar a moto em via pública, até ser advertido por Carlos, que atuava para manter a ordem. Após o ataque, ele foi contido por colegas da vítima até a chegada da Polícia Militar.
O agressor chegou a se ferir no braço durante o ataque e precisou de atendimento médico antes de ser conduzido à delegacia. Preso em flagrante, teve a prisão convertida em preventiva dois dias depois, por decisão do Núcleo de Audiência de Custódia da Capital.
O MPRJ também pediu que Vitor seja levado a julgamento pelo tribunal do júri e que pague uma indenização mínima de 100 salários-mínimos à família da vítima, pelos danos causados. Segundo o órgão, o crime foi cometido em uma das áreas mais movimentadas de Búzios, frequentada por moradores, turistas e comerciantes, o que ampliou a comoção provocada pelo caso.
Vitor pertence a uma família tradicional da Região dos Lagos. É filho de um empresário dono de pousada em Búzios e sobrinho do proprietário de uma conhecida joalheria em Cabo Frio. A defesa dele ainda não se manifestou.
Com o recebimento da denúncia, caberá ao Judiciário decidir se aceita os argumentos do Ministério Público e envia o caso a julgamento pelo júri popular. O processo seguirá tramitando na comarca de Búzios, enquanto a investigação é complementada com novos depoimentos.
"Ele ia trabalhar de bicicleta para economizar. Aí vem um cara desses e ceifa a vida dele. Dilacerou nossa família. Queremos justiça neste momento de muita dor", desabafou a sobrinha da vítima.