Assinante
Movimentos sociais e sindicais realizam atos contra a anistia em pelo menos doze capitais neste domingo, um dia antes do aniversário do golpe de 1964. Os protestos ocorrem no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, João Pessoa, Teresina, Aracaju, Fortaleza, São Luis, Belém, Recife e Curitiba, além de cidades menores, como Nova Friburgo e Uberlândia.
Em Belo Horizonte, o ato iniciou na Praça da Independência, Edifício Sulamerica, local histórico da resistência contra o golpe militar. Milhares de pessoas, muitas ligadas a movimentos sociais, estudantis, sindicais e populares, cantam Ditadura Nunca mais e Sem Anistia para Golpista.
Elas pedem verdade, memória e justiça para que os militares não saiam novamente impunes, e cobram a prisão imediata de Jair Bolsonaro, ex-presidente , que articulou a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 e contribuiu para a morte de 700 mil pessoas na pandemia da Covid-19.
Em São Paulo, a concentração foi na Praça Oswaldo Cruz, no começo da Avenida Paulista. Os manifestantes estão caminhando até o antigo DOI-Codi, na Vila Mariana, um dos centros de tortura da ditadura. Os deputados federais Guilherme Boulos (PSOL) e Lindbergh Farias estiveram presentes.
No Rio, o protesto acontece na Lapa, no Centro do Rio. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto do Rio de Janeiro, que organizou o evento, afirmou ter estendido uma faixa nos Arcos da Lapa, ponto turístico da cidade.
Segundo Gabriel Siqueira, militante do movimento, em menos de 10 minutos, a Polícia Militar do Rio de Janeiro tirou a faixa.
"Mas a mensagem fica: é Bolsonaro na cadeia!, disse ele, que criticou a atitude da PM.
"Se for pra tirar faixa de protesto contra o Bolsonaro, leva menos de 10 minutos. Se for pra fazer ronda nos arredores da Lapa, que fica a mercê da violência, dos roubos, dos assaltos? Nem chega. Depois de inflar a estimativa de público do ato antidemocrático em defesa do Bolsonaro e dos golpistas, a Política Militar do PL resolveu abandonar os cidadãos e turistas na Lapa", afirmou.
Os atos são organizados pela Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, compostas por movimentos sociais e ligadas a partidos de esquerda, como PSOL e PT.
O que diz a Polícia Militar
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado da Polícia Militar informou que, de acordo com o comando do 5º BPM (Centro) policiais militares removeram, neste domingo (30), uma bandeira que colocaram em um monumento histórico e cultural. Não sendo em monumento histórico, para pendurar cartazes é necessário autorização da Prefeitura.
Ainda de acordo com o comando, o policiamento permanece em toda região do Centro.