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O Centro Cultural Paschoal Carlos foi construído pelo prefeito Ivan Barros, nomeado pelo então governador e interventor Raymundo Padilha. Foi criado pelo Decreto Municipal nº 2108/74 e projetado pelo arquiteto Luiz Henrique Monassa Bessil. O Centro foi inaugurado em 13 de março de 1975.
A construção do Centro foi uma homenagem ao diplomata Paschoal Carlos Magno, um dos maiores incentivadores da cultura e da arte no País e, na época, foi presidente da Comissão das comemorações do IV Centenário de Niterói à convite do prefeito de Niterói, Ivan Barros.
Paschoal fez um excelente trabalho na Comissão. Na ocasião, organizou uma Mostra Internacional de Piano, sob a coordenação do maestro Guerra Peixe. Fez do grupo Expansão, Teatro e Cultura, a companhia oficial de Teatro do IV Centenário, com apresentações do espetáculo “Cristo na Poesia" no Teatro Municipal. Trouxe também para a cidade, todo o corpo docente da Fefieg (Conservatório Nacional de Teatro, atual Unirio) para um curso de Teatro que aconteceu no Sesc. A abertura do IV Centenário foi com uma missa campal no aterro, onde é hoje o Caminho Niemeyer.
Na época, foram feitas várias críticas pela construção do Centro. O mesmo clima de divergência quando Jorge Roberto Silveira construiu o Museu de Arte Contemporânea (MAC), sob diversas críticas de políticos e jornalistas.
No caso do Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, o amigo e destacado historiador Emanuel Macedo de Bragança se posicionou não contra a construção mas a homenagem feita ao Paschoal no jornal O Fluminense, onde era editor do Caderno de Cultura, que dizia que Paschoal não tinha identidade com a cidade. Discordei. E, tivemos um debate saudável, no qual o rebati através de um artigo publicado no Jornal LIG, um alternativo histórico de Niterói, lembrando que Paschoal era uma das maiores figuras da cultura brasileira e que muitas vezes esteve em Niterói apoiando os festivais de Teatro, organizados por Sohail Saud.
Mas este foi apenas um adendo à fala do grande historiador Emanuel Soares Macedo Bragança que, assim como Luís Antonio Pimentel, foram ícones na preservação da memória da cidade de Niterói.
Durante o período em que fui diretor da Fundação de Arte de Niterói, atual FAN, havia um administrador que me procurava para comprar letras de acrílico do nome do Centro Cultural que caíam ou eram roubadas. Fui lá e pedi a um pedreiro que fizesse as letras em cimento vazado, o que acabou com os roubos.
O Centro sempre foi um espaço dinâmico da diversidade cultural, com exposições, cinema, performances, coletivas de artes plásticas, lançamentos de livros, etc, raramente se pautou numa única linguagem, e foi esta abertura que tornou o espaço democrático, livre e de referência para todos os artistas locais, nacionais e internacionais.
Uma das coletivas mais importantes realizadas no Centro Paschoal Carlos Magno reuniu os seguintes artistas: Andréa Karp, Abelardo Zaluar, Aluizio Gavazzoni, Deró, Hilda Campofiorito, Hélio Juliano, Humberto Medeiros, Julius Gorke, José Nolasco, Lair Jacintho, Miguel Coelho, Quirino Campofiorito e Thereza Brunnet. Aliás, na mesma época, foi realizado o projeto Recontar, organizado pela escritora Ana Caldeira, que reuniu escritores consagrados e novos escritores. Foi um sucesso.
O Centro Cultural Paschoal Carlos Magno viveu grandes momentos de ebulição com os dirigentes que lá passaram como Maria Líbia, Luis Carlos de Carvalho, Maria Daltro, Rosa Chalhub, Lúcia Guimarães, Marli Medalha, dentre outros.
O Centro Cultural Paschoal Carlos Magno precisa recuperar a sua essência como espaço múltiplo de todas de multilinguagens artísticas, fomentar a diversidade, ser um local de fóruns, debates, seminários, reflexão, sobre o fazer artístico e a cidadania.
Aliás, completando 50 anos, o Centro Cultural precisa homenagear Paschoal Carlos Magno, que é sempre esquecido, e uma das diretoras mais competentes e criativas, Maria Líbia Assef, recentemente falecida.
Mário Sousa, jornalista e escritor