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Niterói e seus 120 anos
Niterói e seus 120 anos
Foto do autor Célio Junger Vidaurre Célio Junger Vidaurre
Por: Célio Junger Vidaurre Data da Publicação: 29 de março de 2025FacebookTwitterInstagram

A instalação definitiva do município de Niterói ocorreu, de fato, somente a partir de quatro de agosto de 1902 quando lhe foi devolvida a condição de capital. E, efetivamente, em vinte de junho de 1903, com atos do então governador (chamado à época de Presidente do Estado), Nilo Peçanha, que iniciou com obras de vulto como a construção da Alameda São Boaventura, o Jardim do Ingá, o edifício dos Correios e criou o cargo de Prefeito em quatro de janeiro de 1904, nomeando para a função o engenheiro Paulo Ferreira Alves, hoje homenageado com Rua no Bairro do Ingá.

A Prefeitura inicialmente funcionou no Jardim São João e, depois, se transferiu para a Rua da Conceição no conhecido prédio chamado de Palacete Arariboia e, ali, funcionou até o governo de Waldenir Bragança (1982/1988), quando o prefeito concluiu as obras do prédio do Tribunal Eleitoral (paralisadas desde a fusão GB/RJ), numa época em que a maioria das repartições do município funcionava em imóveis alugados. Nos fundos, quatro andares foram reservados para servir as dez Zonas Eleitorais da cidade.

Os Prefeitos de 1904 a 1959 eram nomeados pelo governador e só a partir de primeiro de janeiro de 1959, é que os executivos municipais foram guindados ao cargo através do voto popular. A seguir, com o golpe militar de 1964, voltaram à mesma situação de antes. Foi quando Emílio Abunahman ficou de 1964 a 1971 e vieram depois José de Mattos Pitombo, Ivan de Arros e Ronaldo Fabrício. Pouco, muito pouco de desenvolvimento aconteceu na cidade nesse tempo, pois, o aterro na Baía de Guanabara  foi executado pelo governo estadual com ajuda do governo federal. Vem o tempo de Moreira Franco  (1977/1982), Waldenir Bragança (1982/1988), Jorge Roberto Silveira quase vinte anos, Godofredo Pinto com seis anos e por fim Rodrigo Neves/Axel Grael já doze anos na Chefia  do Município. Fora esses, também participaram da administração outros com "mandatos tampões".

Passaram pelo cargo em torno de quarenta prefeitos entre os nomeados e os que foram guindados através do voto, mas, nenhum deles, pelo que ficou evidenciado, teve a ousadia de solucionar alguns dos verdadeiros e cruciais problemas que impediam e impedem um progresso mais consistente no município. Por exemplo, por que não extinguiram o Morro São Lourenço e o Morro do Estado, dois entraves no Centro da cidade? Um poderia abrir espaço para a Rua Marechal Deodoro ser prolongada até o Largo do Marrom e Santa Rosa. As ruas Carlos Maximiano e 22 de Novembro poderiam ser prolongadas até outras vias para se chegar à Região Oceânica. Já o Morro do Estado, excluído do mapa, favoreceria a antiga rua Moreira César, hoje Paulo Gustavo, de ter sua via estendida até o centro da cidade passando pelo bairro do Ingá.

Não houve interesse ou vontade política de nenhum desses Prefeitos para solucionar esse impasse existente, quando no Rio de Janeiro, pelo que se sabe, pelo que se viu, aconteceram diversos desaparecimentos de vários morros que alavancaram com melhorias no transporte e na qualidade de vida das pessoas. Outro fato jamais visto, em Niterói,  por essas dezenas de autoridades máximas, é que não enxergaram ou não quiseram enxergar, até hoje, o tamanho das belezas naturais da cidade. Viajam e passeiam por Barcelona, andam no teleférico daquela mega cidade e não trazem a ideia de instalar da mesma forma de lá um teleférico entre o Parque da Cidade até Jurujuba ou até a Boa Viagem.

Com essas omissões administrativas ocorridas, viu-se que, o município deixou de ter um transporte mais efetivo, até porque, depois da fusão dos dois Estados e, consequentemente, com a construção da Ponte Rio-Niterói, certamente, a cidade teria outro tipo de convivência e não ficaria reduzida a caminhar apenas pelas ruas do tempo de Arariboia. Se tivessem pensado melhor nas expectativas dessas obras, o incentivo ao turismo seria outro. Não olharam pela cidade conforme suas belezas exigiam.

SE CADA UM DE NÓS FIZER UMA PEQUENA PARTE, TODOS TEREMOS FEITO UMA GRANDE OBRA.

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