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Nas paredes de alguma caverna
Nas paredes de alguma caverna
Foto do autor Dom José Francisco Rezende Dom José Francisco Rezende
Por: Dom José Francisco Rezende Data da Publicação: 20 de março de 2025FacebookTwitterInstagram

“Dia desses”, minhas lembranças me levaram ao seminário e às aulas de Platão. Nós éramos muitos jovens e ninguém imaginava o quanto aquelas noções fariam diferença mais tarde.

Foi quando me lembrei do mito da caverna, só para perceber que nem sempre nossas cavernas nos oferecem mirantes de onde possamos enxergar onde estamos. 

Platão dizia que uma fogueira ardia projetando silhuetas de sombras nas paredes, e que aquele teatro de sombras significava, bem tristemente, a total realidade daquilo que existia na vida nos aprisionando.

Por tolo que fosse, o infeliz prisioneiro daquela caverna percebeu que as sombras não passavam de ilusão. Tanto que, um dia, ele conseguiu escalar o muro e enxergar a luz do Sol, pela primeira vez. Havia um mundo além do mundo da caverna onde era possível experimentar o gosto da liberdade numa vida a céu aberto. 

Era bom aquele rapaz! 

Tanto que ele viu que não podia usufruir daquela beleza sozinho e se compadeceu dos outros que ficaram nas sombras da caverna do mundo. Era preciso convencê-los de que, num outro lugar, havia um sol que iluminava a vida. E que as sombras por aqui projetadas não passavam de desejos mal-arrumados que cada um imaginava serem reais para continuarem neles depositando suas esperanças, mesmo já nem sabendo mais do quê. 

Alguém lhe deu crédito? Claro que não! Ele foi ridicularizado, golpeado e morto. E os outros continuaram prisioneiros “felizes” nas paredes mentirosas da caverna, como se fosse só o que existisse!

Platão viveu no século V a.C. Mas é possível perceber como ele antecedeu uma realidade que ainda é nossa.

Na quaresma, Jesus irá insistir que as paredes das nossas cavernas, onde guardamos nosso ouro e nossa raiva, ainda irão nos asfixiar. 

Sair? Só depende de cada um!

E isso é sério, não é?

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